domingo, 14 de maio de 2017

Encontrei o amor onde eu menos esperava


Nossa história começou numa época difícil para qualquer um, a adolescência.  Eu era uma menina alegre, divertida, mas para alguns muito séria.  Meus pais me achavam inteligente e com futuro promissor.  Muito era cobrada pelo fato de meus pais serem importantes, meu pai doutor, ex-vereador, membro da academia campinense de letras e minha mãe, filha de professor de português e dono de colégio, professora de inglês.  Para compensar minhas boas notas na escola pública, e garantir a entrada em uma boa faculdade, meus pais ficaram em fila de madrugada, para conseguir uma senha e me colocar para fazer o colegial numa escola particular boa da região.

Entrei então nesta nova etapa da minha vida, onde tudo era novo.  Com receio da nova escola, estudei muito e me saí bem no 1º semestre.  Porém, adolescência é uma aventura e no 2º semestre me apaixonei pela escola, pelos novos amigos, em especial por um deles.  Sem perceber me apaixonei perdidamente, como todo adolescente.  E fui ao extremo, sem ser correspondida.

Ele era uma pessoa especial, um artista, de mente cheia de criatividade e devaneios.  Éramos do grupo dos excluídos, ele por ser artista e ter um jeito, que cravado pelos demais, era afeminado, e, eu era a garota baixinha, magrinha, vinda da escola pública.

Passávamos muito tempo juntos.  Mesmo eu tendo me declarado para ele e ele não tendo correspondido, ainda assim continuamos amigos.  Claro que isso passou a nos criar uma série de problemas.

A vida continuou seguindo em frente e apesar de minha paixão arrebatadora ter feito minhas notas despencarem (conversávamos durante a aula), não fui reprovada, no entanto ele foi.  Fiquei triste, mas não deixei de amá-lo.  Porém, nesse ano houve uma mudança e a arte dele, seu jeito “afeminado” começou a atrair as pessoas, em especial as mulheres e ele virou uma pessoa “popular” no colégio.  Já não era mais só meu!

Minha paixão adolescente aí então cresceu e eu aprendi o que era ter ciúmes.  Virei quase que obsessiva.  E ele ainda assim continuava meu amigo, claro que às vezes era cruel, mas eu estava pedindo para que fosse.  Essa situação permaneceu nos próximos 3 anos, com direito a escândalos de todo tipo.

Cheguei a conseguir um “selinho” dele no meu aniversário.  Quase que exigi ou me humilhei para isso.  Meus pais e os dele ficaram preocupados com a situação.  Mas afinal, eu seguia em frente e não reprovei nenhum ano, finalmente terminando o colegial e entrando na faculdade.  Faculdade paga, não pública, mas uma boa faculdade.

Aí passei para uma nova fase da minha vida, mesmo resistindo a nossa amizade/minha paixão, algo começou a mudar.  Afinal, faculdade cura todos os males do coração.
Hoje, depois de 30 anos da história acima, somos mais amigos ainda que antes.  Cheguei a sugerir que tivéssemos um filho juntos, sei que seria um ótimo pai.  Mas a vida tem seus caprichos e nem tudo pode ser do jeito que queremos.  Mas ele sempre será minha alma gêmea.

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