segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Reconsideração da Sentença
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O que é felicidade ?
Ontem, ao entardecer, olhando o por do sol enquanto aguardava um taxi para voltar para o prédio onde trabalho, vendo os carros passarem, lembrei dele. Lembrei de todos os por do sol que passamos juntos, passeando ou não. Despreocupados com a vida e onde ela ia nos levar, simplesmente curtindo. Nessas horas é quando vem a dúvida, fiz certo em terminar com ele ?
Afinal éramos felizes juntos, disso tenho certeza. Bater um bom papo, dividir opiniões, discordar, concordar, ter um pensamento comum no mesmo momento, simplesmente adivinhar o que o outro estaria pensando. Tanta coisa em comum não foi suficiente para nos manter juntos, porque ?
Tem fases na vida em que a nossa percepção do que realmente é importante muda um pouco, por um motivo ou outro. Proximidade da velhice, pensamos: “Minha vida se resumirá a isso ?” Sentimos que temos que ter um sentido maior nela, que o que tivemos até então não nos é suficiente. Temos que escolher, na verdade arriscar, por um objetivo maior, que para nós significa a felicidade. Nessa escolha, influencia muito nossas experiências com certeza, se já arriscamos prá um lado e deu ou não certo. Se é uma experiência de vida pela qual não abrimos mão. Tudo isso influencia.
Outro dia uma amiga minha disse que, o que temos de mais valioso nesta vida é o tempo e que não vale a pena ficar desperdiçando-o com coisas que não vão nos levar a lugar algum. É verdade, quando sabemos onde queremos chegar, isso é mais simples de visualizar e fica mais fácil tomar decisões.
É, mas é difícil mesmo assim, largar a felicidade de um por do sol sem nenhuma pretensão, por um objetivo maior na vida, que não sabemos nem quando, nem se vamos atingir. A única coisa que conseguia pensar vendo aquele por do sol era na falta que ele estava me fazendo, na tristeza em tê-lo magoado e o quanto eu queria vê-lo chegando.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sentença Habilitação - pareceres
Por mais incrível que possa parecer, levei todo esse tempo, desde que fui recusada na habilitação do processo de adoção, para ter coragem de ler por completo a sentença. O parecer da Assistente Social está muito bem escrito e bem detalhado, enquanto o da psicóloga me pareceu muito sucinto, simplificando demais uma situação que não é tão simples assim. Então tive a idéia de transcrever pelo menos as partes que achei relevantes dos pareceres e quem quiser que faça seu próprio julgamento.
Parecer favorável da Assistente Social:
“... Trata-se de pessoa que alcançou através da edificação de uma carreira profissional, a estabilidade financeira e o patrimônio que possui, condições mínimas para viabilizar o seu projeto de ser mãe, sonho que tentou realizar quando ainda casada e agora o busca sozinha, uma vez que está separada há dois anos. Conta com o apoio da família e suporte à distância da mesma, sendo que a rede de suporte mais próxima se dará através das amigas.
... a requerente parece-nos uma pessoa muito comprometida com seus objetivos, de boa educação, responsável, ponderada, com habilidades para construir vínculos e com muita vontade de ser mãe.
Durante o processo de busca de meios para gestar o filho biológico, a requerente já vislumbrou a possibilidade de vir a adotar uma criança, entretanto, seu ex-marido não compartilhava deste projeto, culminando no fim da união, entre outros motivos.
Após, com apoio psicoterapêutico e em processo de amadurecimento de sua motivação, a requerente decidiu levar em frente seu projeto adotivo através de sua solicitação de inscrição no cadastro deste Juízo. Avaliamos que a busca por apoio psicoterapêutico neste momento foi uma atitude muito saudável e responsável por parte da requerente... “
Solicitei uns meses antes do parecer final da psicóloga para refletir um pouco mais (sugestão da própria psicóloga) então ela resume a situação assim: “A requerente se mostra uma pessoa esclarecida, dinâmica, franca e de fácil comunicação... denota ter um potencial afetivo para a maternagem. Neste momento possui questões ainda não bem resolvidas e elaboradas, no que diz respeito a adotar um filho sozinha. Ela se dispõe a concluir a presente avaliação em 120 dias...”
Parecer desfavorável da Psicóloga:
“... uma criança, especialmente que sofreu abandonos, necessita de uma condição de vida segura e de aceitação das pessoas que a cercam, e a requerente parece ter compreendido e concordado, até certo ponto, pois insistiu de que não se pode controlar os acontecimentos, e que estes podem mudar a qualquer momento.
... apresenta aspectos de imaturidade emocional. Sua postura é avaliada como ambígua pois, ao mesmo tempo em que há um movimento de sua parte em direção a concretizar uma adoção, seu discurso é contraditório e sinaliza que, nas condições apresentadas, uma criança que viesse a adotar estaria sendo exposta a uma dinâmica de vida e emocional com inseguranças, que poderão refletir negativamente no desenvolvimento psíquico de um infante...”
Como rebater um discurso desse ? Existe alguma certeza nesta vida ? Temos controle de todas as situações ? Quem garante que um casal aparentemente ajustado, não vai sofrer uma separação num curto prazo ? Minha separação foi de uma hora para outra (jamais imaginei que fosse me separar) e finalizou em menos de 6 meses.