segunda-feira, 19 de julho de 2010

Habilitação para ser mãe

Existe isso na vida ? Existe alguém neste mundo que possa julgar se podemos ou não ser mãe ?

Hoje eu descobri que existe. Fui verificar a sentença do juiz no fórum, sobre meu processo e depois de tantas entrevistas, de tantas idas e vindas ao fórum, de tanto lutar, a sentença (essa coisa de nome tão pesado e radical) “momentaneamente não estou apta”. Dizer o que a respeito disso ?

Pode mesmo existir alguém que nos julgue dessa forma ? Claro que sim, depois do caso da procuradora da justiça, que foi habilitada no processo, só Deus sabe de que forma. Lógico que os profissionais do fórum tem que ser criteriosos. Sim, é fato, eles estão pensando nas crianças, na estrutura que poderemos oferecer a elas. Mas de verdade neste ano e meio que estudo o assunto, que freqüento grupos de apoio, nunca conheci uma pessoa que tivesse sido recusada, no entanto eu fui.

Sei porque me recusaram, a psicóloga foi bem clara a esse respeito na última entrevista, queria que eu terminasse um namoro de um ano, porque meu namorado, que nunca chegou a morar comigo, não pretendia adotar em conjunto (embora meu processo tenha se iniciado antes do namoro e sempre ter sido prioridade). Podemos ser prejudicadas por esse motivo ? Perguntei no início do processo se gostariam de conversar com ele, nunca houve interesse. Sempre fui muito sincera e falei a verdade, mas será que deveria ter omitido ? Em vez de dizer que ele ficava na minha casa alguns dias da semana, dizer que nunca ele ficava ou omitir que tinha um namorado ? Seria simples mentir assim, mas fui sincera, fui eu mesma e paguei o preço.

Casais ainda tem prioridade, pois nós mulheres sozinhas podemos ter namorados e os casais nunca traem, nunca se separam... Mas aí vai um questionamento que fiz para a psicóloga, o tempo que leva para a criança chegar, e já percebi que ele é longo mesmo para quem escolhe crianças maiores (pelo menos um ano), muita coisa acontece na vida da pessoa, como garantir que a situação daquela pessoa não mudou ? Tudo bem eles devem fazer uma nova avaliação, mas duvido que ela seja tão completa quanto a primeira, onde fui barrada.

Estou triste, muito triste. Porque tenho que pagar esse preço de não ser mãe por ter escolhido homens errados. Homens que mal fazem ou fizeram parte da minha vida realmente. Um namorado que nunca deixou mais do que uma camisa na minha casa, um marido que condenava a adoção (capaz dele sim aparecer no fórum atrás de uma criança e ser aceito). A solução seria uma produção independente ? Sempre achei esse ato fútil com tantas crianças abandonadas, mas não seria essa uma solução ?

Vi minha filha, moreninha como a imaginei nos meus sonhos. Eu que tanto fui indiferente no quesito raça, que considerei adotar uma criança mais velha, vou ter que optar por uma criança branca, sem pai, como seria a adotiva. Não estarei acrescentando muito à sociedade, sei que adoção não é caridade, mas há um benefício social nisso. Sempre sonhei com essa criança e vou lutar por ela, sendo pela via da adoção ou não, filho é sempre filho, não importa de onde ele veio.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Adoção e os Amigos

Depois de muito pensar no assunto, decidir, investigar, ir atrás, decidimos que é hora de ir à luta. E então queremos compartilhar essa decisão, dividir esses momentos com nossos amigos. Aí vem a dúvida, como fazê-lo ? Bem, é claro que cada um acha a sua própria receita. Mas sempre fica a dúvida, prá quem devo e prá quem não devo contar ? Eu sempre fui uma pessoa extremamente discreta no trabalho, nunca comentei muita coisa sobre minha vida particular. Mesmo assim acabei contando a história da adoção para minha gestora. A reação foi de surpresa (pelo meu histórico e pelo meu jeito não achava que eu queria filhos). Depois me arrependi de ter contado, não que tenha me prejudicado, mas também não acrescentou nada. E vale lembrar que a maioria das pessoas não tem a menor ideia de como seja o processo. Muitos ainda hoje, vinculam o fato a caridade. Também podem achar que o funcionário está em iminência de ficar afastado por conta de licença maternidade e retaliar, mesmo que não seja exatamente intencional. Vale lembrar aí que, adoção não é caridade e que o processo é demorado. Leva em média um ano entre o envio de documentos, as entrevistas e a sentença do juiz. É um processo sério e criterioso, para que só realmente adote uma criança quem tem condições (psicológicas, além de financeiras). Além disso, tem o tempo de espera na fila, que varia conforme o perfil da criança. Claro que, antes de contar para minha gestora, contei para meus amigos mais próximos, que, por me conhecerem melhor não tiveram a reação de surpresa, e ficaram muito felizes. Torcem para que a criança venha logo para brincar com seus filhos. Isso certamente foi uma reação que superou minhas expectativas. No meu perfil de criança incluí a multiracial e tenho receio do preconceito. Portanto, aí vai a dica, conte, mas conte para quem realmente merece saber.