quinta-feira, 26 de maio de 2011

Memórias 1

Em 01/04/2001, Victoria, Canadá, texto na íntegra.

Comprei este caderninho porque é claro que achei lindo. Mas para escrever alguma coisa nele também. Para que ele fosse a minha consciência e registrasse os meus pensamentos também. Hoje foi um dia bem cinzento, isso em todos os sentidos. Choveu e fez frio o dia todo. Fiz um passeio para Victoria e Butchart Gardens. Imagina um jardim florido num dia frio e chuvoso ? Pois é. Hoje senti saudades de casa, mas nem tanto da minha casa, e sim de um lar, de família. Isso é sempre do que sinto falta. Fico bem sozinha, não duvidava disso, mas gostaria de ter uma família. Senti falta do abraço combustível do meu ex-namorado. Sempre uma companhia boa. Queríamos as mesmas coisas, ou quase, quando viajávamos. Nunca brigamos em viagem. No final delas eu sempre me deprimia ao voltar para casa. Fico triste e até mesmo choro. Parece que voltar não faz sentido. Também queria ficar por aqui. Não ir mais embora. O que eu tenho que me prende ? Minha mãe ? Até quando ? Achar outro caminho seria a solução ? Desistir da adoção ? Qual rumo tomar ? Nos sentimos mais livres e fortes quando viajamos, isso é verdade. Mas será que raciocinamos direito ? Minha busca por autoconhecimento certamente está funcionando. Me descobri uma pessoa simples, com gostos simples, nada cheio de extravagância. Ontem, cansada de andar por Vancouver e tentando encontrar internet grátis, fui parar na biblioteca pública. Achei uma seção com livros em português. Como havia cadeiras lá, peguei o livro “Malu de Bicicleta” do Marcelo Rubens Paiva, e me pus a ler. Por lá fiquei por uma hora. Essa sou eu, isso me define. Adorei esse momento simples. Como minha mãe sempre disse que quando leio fico totalmente “fora do ar”. Sim, os livros tem esse poder em mim. Volto a me perguntar, como fazia na infância, porque nasci no Brasil ? Não faço questão de praia, não agüento muito tempo no sol. Adoro neve, adoro inglês, francês, leio muito (com qualidade) para a média dos brasileiros. Me pergunto porque não fui embora enquanto podia ? Porque me casei ? Porque me deixei ser a “princesinha”. Nunca foi muito meu tipo isso. Sempre tive uma veia aventureira. De família, claro, minha mãe nunca foi de seguir convenções. Porque eu resolvi segui-las ? Nada deu certo nesse sentido, não seria hora de mudar de estratégia ?

Memórias

Não sei se já contei antes, mas eu comprei um caderninho durante a viagem para o Canadá. É um caderninho, teoricamente não tem nada de mais. Mas comprei num momento de reflexão, quando tive necessidade de escrever algumas coisas, que julguei importantes. Recentemente resolvi ler o que eu escrevi e achei algumas coisas bastante interessantes, que resolvi compartilhar. Então os próximos textos, baseados no caderninho (na verdade é praticamente um diário) vou chamar de memórias.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lembranças

Hoje eu assistia a um episódio da novela Vale Tudo, que eu adorei quando vi pela primeira vez e que continuo gostando, mesmo após mais de vinte anos. Ela foi um marco em diversos sentidos e foi também na minha vida. Ao final do capítulo tocou uma música daquela época, "Silent Morning" e como as músicas tal qual os cheiros e outras coisas, são capazes de nos trazer lembranças. Me lembrei exatamente da fase da minha vida naquela época. Estava terminando a faculdade, tinha um namorado e achava que o mundo era todo meu. Me lembrei desse namorado e do quanto ele era especial. Era carinhoso, romântico, gostava de dançar e era virgem. Ambos éramos, portanto, tudo foi muito especial entre nós. Era namoro para terminar em casamento. Ele até mesmo gostava de dançar. E tinha o que mais prezo em um homem, bom humor. Aí me coloquei a imaginar onde ele estaria hoje, casado e com filhos suponho. Será que teria se casado com uma boa pessoa e teria bons filhos ? Sinceramente espero que sim, ele merecia isto. E eu ? Mereço o que o destino me apresentou ? Sei lá, mas de fato eu sempre tive um espírito inquieto, que sempre está em busca de algo. Um novo amor, uma nova emoção, um novo lugar. Hoje vejo que em diversas circunstâncias da vida eu estive buscando um algo a mais. Achei que em meu ex-marido eu tinha encontrado isso. Acreditei nisso e passei a viver as buscas dele, vivi em função disso por anos. Me enganando dizendo que eu também queria aquilo. Hoje, que me vejo sozinha, reflito sobre isso e percebo que eu tenho mesmo esse espírito inquieto, sempre em busca de algo, de algum sentido na vida. Mas sou capaz de fazer essa busca sozinha e achar meu caminho. Mais importante do que acharmos a pessoa certa para dividirmos uma vida é saber quem somos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Viva

Novos tempos, novas percepções, mudou muita coisa com relação à adoção, mas não foi só isso que mudou... E, assistir o canal Viva faz a gente lembrar que há vinte anos(nem tão distante assim): - Ilha Grande já foi um presídio muito temido... - Nem sempre tivemos celular... - Fiat 147 era um carro de classe média... - Classe média não comprava carro zero... - O Lula mais famoso, era um personagem da Armação Ilimitada... - Não se comprava ingresso antecipado de teatro, nem de cinema... - Ganhar no Black significava comprar dólar de cambistas e vender dias depois ganhando muito dinheiro (especulação)... - Comprar mais de mil dólares só se fosse da mão de cambistas, legalmente não era possível... - Preocupação era maior com gravidez ao transar sem proteção... - Aids era doença de gay... Hoje gay é chamado de homossexual masculino. E tanto eles ou elas (homossexuais), quanto nós mulheres ou homens sozinhos, podemos solicitar habilitação para adotar uma criança e, pelo menos na teoria, não encontraremos preconceito.

sábado, 7 de maio de 2011

Xodó

Bem, de volta ao tema original do meu blog depois de uma viagem tão linda... mas tudo tem seu fim... volto a escrever e divagar sobre esse assunto também importante que é a adoção. Ontem meu cachorro fez uma coisa interessante, na verdade ele vem fazendo coisas desse tipo e fico me perguntando o porquê. Eu estava passeando com ele na rua quando de repente, a guia escapou da coleira e ele se viu livre. Imediatamente ele saiu em disparada pela rua, feliz com essa liberdade. Não tinha como, mas também nem fiz menção de, ir atrás dele. Continuei andando e ele fez uma curva e o perdi de vista. Claro, estava com medo que ele se ferisse, mas ele escolheu isso também. Ele não é bobo, muito pelo contrário, voltou para verificar onde eu estava, claro, ou não viu nada muito interessante depois da curva, ou ficou com medo que eu o abandonasse. Na verdade penso que ele já percebeu que não vamos abandoná-lo e está testando. Testando o nosso amor por ele, mesmo quando faz traquinagem. Aí me veio o pensamento, que alguns criticam, mas para mim é mais fácil assim, que uma criança adotada seria a mesma coisa. Ela teria comportamentos parecidos com o dele. Para quem não tem filho, nem muito contato com crianças, embora as ame e queira uma para si, é difícil imaginar o comportamento delas, por isso me permito fazer tal comparação. Posso avaliar como uma criança se sentiria nessa situação.