terça-feira, 26 de outubro de 2010

Alegria da Adoção

Ontem uma pessoa, conversando comigo e contando que leu meu blog, me disse que eu escrevo de uma forma triste a respeito do assunto, que eu deveria contar coisas boas a esse respeito. Aí fiquei refletindo sobre isso. Na hora que me falaram até justifiquei dizendo que a doçura, a alegria da adoção está depois que temos a criança, não antes disso.

Mas me pus a pensar a esse respeito para checar se seria verdade. Tentar dizer coisas boas sobre a adoção, uma visão mais alegre. É mesmo difícil pensar nisso quando estamos na fila de espera pela criança, pois nossa felicidade está toda direcionada para aquela criança que vai chegar. Por mais que digam que não devemos colocar expectativas em cima da criança, que devemos aguardar pacientemente, sempre visualizamos essa criança e nossa felicidade está nisso. Sonhamos com a criança enquanto esperamos que ela se materialize. Nossa alegria está nos encontros com outras pessoas na mesma situação, está em ouvirmos histórias de superação, de sucesso. Trocamos idéia e com isso nos mantemos vivos, mas é verdade que a alegria nessa espera está no objetivo.

A adoção não deve ser considerada um ato de nobreza, um ato de caridade, mas sim de uma pessoa que quer um filho, não importa sua origem. Essa mesma pessoa me disse que há nobreza sim na adoção, porque nem todas pessoas estão preparadas para isso, ou nem todas teriam a coragem que temos em tentar. Não sei se isso é verdade, simplesmente acho que algumas pessoas realmente não querem, não pela adoção em si, mas porque não querem filhos, não importa como. Acredito que as pessoas que optam pela adoção, seja lá por qual motivo, escolheram ter um filho de verdade. Os filhos biológicos nem sempre são tão desejados quanto os adotivos. Acredito que algumas pessoas desistem de tentar ter filhos biológicos e dizem que não querem adotar, mas é porque elas não querem um filho de verdade. Elas só querem satisfazer uma necessidade do organismo.

Na adoção passamos por uma gravidez é verdade, mas ela é demorada e sem visualizarmos a criança, nem através do borrão de um ultrassom. E quando ela chega é de sopetão e temos que estar preparados, amá-la da mesma forma. Não vejo muitas alegrias no caminho de quem está na fila, aguardando, vejo alegria apenas no objetivo, na visualização do nosso futuro. Imaginar que seremos pais algum dia é uma alegria, imaginar que uma criança vai nos chamar de pai ou mãe também. A verdadeira felicidade está nisso, na visão do futuro.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ter ou não ter, eis a questão

Esta semana me fizeram uma pergunta interessante, que me fez refletir sobre várias coisas. A pergunta foi “Você se arrepende de não ter tido filhos durante o seu casamento ?” Uma pergunta tão simples, mas com uma resposta tão complicada. Respondi: “Sim e não.” Porque ? Essa resposta foi fácil. Sim, porque eu realmente já quis ter um filho e, não, porque acho que era com a pessoa errada. Pessoa errada, essa ficou martelando na minha cabeça. Quem seria a pessoa certa ? Tantos casamentos fracassam depois dos filhos e os casais ficam anos brigando. Mas não acho que ele era a pessoa errada porque isso aconteceria conosco. Com ou sem filhos nos separaríamos da forma que foi. Do contrário do que sempre pensei, nos separamos sem brigar. E não acho que brigaríamos mais se tivéssemos filhos. Bem, mas após isso veio a reflexão sobre filhos, inevitável. E ouvindo a pergunta, de uma pessoa anos mais nova que eu. Que está numa fase em que é pressionada para ter filhos e não quer ainda, me lembrou de mim mesma nessa idade. Eu era assim, não queria ter filhos antes de ter aproveitado bem a vida. Porque, apesar de toda a beleza da maternidade, filhos demandam muito de nós. E comigo foi assim, fui feliz assim, mas eu diferente dela nunca sofri muita pressão. Tive um marido que compartilhava essa idéia. Viajamos muito, aproveitamos muito. Arrependimento ? Não, não há. Apesar de tudo, ao final, sempre fomos parceiros em nossos ideais. O casamento simplesmente se desgastou. E, como eu visualizava desde o início, não me imaginava casada com meu ex-marido aos 40 anos, não sei bem explicar o porquê, simplesmente pressentia isso. Porque temos esse sexto sentido ? Sentimos isso, pressentimos e normalmente temos razão. Após o final do casamento, me vi perdida, sozinha e sem filhos. O que fazer então ? Superar e seguir em frente. Então, após o apoio dos amigos, me vi de novo namorando. Uma pessoa fantástica, de ótimo caráter, enfim, que é inteligente e com coisas em comum comigo. Mas tem um problema, mora com os pais. Eu torci o nariz para isso desde o início. Olha o pressentimento aí de novo. Mas eu dizia a mim mesma, é só porque ele ainda não encontrou um motivo para mudar. Então, não tardou muito a aparecer o motivo da minha desconfiança, ou pressentimento. Eu amadureci com a separação e continuava amadurecendo e ele ficou para trás logo. Eu logo entrei na questão filhos, questão comum a quem namora “firme”. Se não é, deveria ser, pois isso é realmente uma questão importante e que pode arruinar uma relação. Ele não consegue se libertar, viver a própria vida, ser “dono do próprio nariz”, deixar de ser coadjuvante para ser principal, deixar de ser filho para ser pai. Então volta a questão filhos, se não temos ou encontramos um parceiro que nos apóie, qual rumo devemos tomar ? Arrependimento por tudo que vivi não há. Há apenas decisões que precisamos tomar em determinadas fases da vida.