Ontem uma pessoa, conversando comigo e contando que leu meu blog, me disse que eu escrevo de uma forma triste a respeito do assunto, que eu deveria contar coisas boas a esse respeito. Aí fiquei refletindo sobre isso. Na hora que me falaram até justifiquei dizendo que a doçura, a alegria da adoção está depois que temos a criança, não antes disso.
Mas me pus a pensar a esse respeito para checar se seria verdade. Tentar dizer coisas boas sobre a adoção, uma visão mais alegre. É mesmo difícil pensar nisso quando estamos na fila de espera pela criança, pois nossa felicidade está toda direcionada para aquela criança que vai chegar. Por mais que digam que não devemos colocar expectativas em cima da criança, que devemos aguardar pacientemente, sempre visualizamos essa criança e nossa felicidade está nisso. Sonhamos com a criança enquanto esperamos que ela se materialize. Nossa alegria está nos encontros com outras pessoas na mesma situação, está em ouvirmos histórias de superação, de sucesso. Trocamos idéia e com isso nos mantemos vivos, mas é verdade que a alegria nessa espera está no objetivo.
A adoção não deve ser considerada um ato de nobreza, um ato de caridade, mas sim de uma pessoa que quer um filho, não importa sua origem. Essa mesma pessoa me disse que há nobreza sim na adoção, porque nem todas pessoas estão preparadas para isso, ou nem todas teriam a coragem que temos em tentar. Não sei se isso é verdade, simplesmente acho que algumas pessoas realmente não querem, não pela adoção em si, mas porque não querem filhos, não importa como. Acredito que as pessoas que optam pela adoção, seja lá por qual motivo, escolheram ter um filho de verdade. Os filhos biológicos nem sempre são tão desejados quanto os adotivos. Acredito que algumas pessoas desistem de tentar ter filhos biológicos e dizem que não querem adotar, mas é porque elas não querem um filho de verdade. Elas só querem satisfazer uma necessidade do organismo.
Na adoção passamos por uma gravidez é verdade, mas ela é demorada e sem visualizarmos a criança, nem através do borrão de um ultrassom. E quando ela chega é de sopetão e temos que estar preparados, amá-la da mesma forma. Não vejo muitas alegrias no caminho de quem está na fila, aguardando, vejo alegria apenas no objetivo, na visualização do nosso futuro. Imaginar que seremos pais algum dia é uma alegria, imaginar que uma criança vai nos chamar de pai ou mãe também. A verdadeira felicidade está nisso, na visão do futuro.
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