terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ter ou não ter, eis a questão

Esta semana me fizeram uma pergunta interessante, que me fez refletir sobre várias coisas. A pergunta foi “Você se arrepende de não ter tido filhos durante o seu casamento ?” Uma pergunta tão simples, mas com uma resposta tão complicada. Respondi: “Sim e não.” Porque ? Essa resposta foi fácil. Sim, porque eu realmente já quis ter um filho e, não, porque acho que era com a pessoa errada. Pessoa errada, essa ficou martelando na minha cabeça. Quem seria a pessoa certa ? Tantos casamentos fracassam depois dos filhos e os casais ficam anos brigando. Mas não acho que ele era a pessoa errada porque isso aconteceria conosco. Com ou sem filhos nos separaríamos da forma que foi. Do contrário do que sempre pensei, nos separamos sem brigar. E não acho que brigaríamos mais se tivéssemos filhos. Bem, mas após isso veio a reflexão sobre filhos, inevitável. E ouvindo a pergunta, de uma pessoa anos mais nova que eu. Que está numa fase em que é pressionada para ter filhos e não quer ainda, me lembrou de mim mesma nessa idade. Eu era assim, não queria ter filhos antes de ter aproveitado bem a vida. Porque, apesar de toda a beleza da maternidade, filhos demandam muito de nós. E comigo foi assim, fui feliz assim, mas eu diferente dela nunca sofri muita pressão. Tive um marido que compartilhava essa idéia. Viajamos muito, aproveitamos muito. Arrependimento ? Não, não há. Apesar de tudo, ao final, sempre fomos parceiros em nossos ideais. O casamento simplesmente se desgastou. E, como eu visualizava desde o início, não me imaginava casada com meu ex-marido aos 40 anos, não sei bem explicar o porquê, simplesmente pressentia isso. Porque temos esse sexto sentido ? Sentimos isso, pressentimos e normalmente temos razão. Após o final do casamento, me vi perdida, sozinha e sem filhos. O que fazer então ? Superar e seguir em frente. Então, após o apoio dos amigos, me vi de novo namorando. Uma pessoa fantástica, de ótimo caráter, enfim, que é inteligente e com coisas em comum comigo. Mas tem um problema, mora com os pais. Eu torci o nariz para isso desde o início. Olha o pressentimento aí de novo. Mas eu dizia a mim mesma, é só porque ele ainda não encontrou um motivo para mudar. Então, não tardou muito a aparecer o motivo da minha desconfiança, ou pressentimento. Eu amadureci com a separação e continuava amadurecendo e ele ficou para trás logo. Eu logo entrei na questão filhos, questão comum a quem namora “firme”. Se não é, deveria ser, pois isso é realmente uma questão importante e que pode arruinar uma relação. Ele não consegue se libertar, viver a própria vida, ser “dono do próprio nariz”, deixar de ser coadjuvante para ser principal, deixar de ser filho para ser pai. Então volta a questão filhos, se não temos ou encontramos um parceiro que nos apóie, qual rumo devemos tomar ? Arrependimento por tudo que vivi não há. Há apenas decisões que precisamos tomar em determinadas fases da vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário