Nossa
história começou numa época difícil para qualquer um, a adolescência. Eu
era uma menina alegre, divertida, mas para alguns muito séria. Meus pais
me achavam inteligente e com futuro promissor. Muito era cobrada pelo
fato de meus pais serem importantes, meu pai doutor, ex-vereador, membro da
academia campinense de letras e minha mãe, filha de professor de português e
dono de colégio, professora de inglês. Para compensar minhas boas notas
na escola pública, e garantir a entrada em uma boa faculdade, meus pais ficaram
em fila de madrugada, para conseguir uma senha e me colocar para fazer o
colegial numa escola particular boa da região.
Entrei
então nesta nova etapa da minha vida, onde tudo era novo. Com receio da
nova escola, estudei muito e me saí bem no 1º semestre. Porém,
adolescência é uma aventura e no 2º semestre me apaixonei pela escola, pelos
novos amigos, em especial por um deles. Sem perceber me apaixonei
perdidamente, como todo adolescente. E fui ao extremo, sem ser correspondida.
Ele
era uma pessoa especial, um artista, de mente cheia de criatividade e
devaneios. Éramos do grupo dos excluídos, ele por ser artista e ter um
jeito, que cravado pelos demais, era afeminado, e, eu era a garota baixinha,
magrinha, vinda da escola pública.
Passávamos
muito tempo juntos. Mesmo eu tendo me declarado para ele e ele não tendo
correspondido, ainda assim continuamos amigos. Claro que isso passou a
nos criar uma série de problemas.
A
vida continuou seguindo em frente e apesar de minha paixão arrebatadora ter
feito minhas notas despencarem (conversávamos durante a aula), não fui
reprovada, no entanto ele foi. Fiquei triste, mas não deixei de
amá-lo. Porém, nesse ano houve uma mudança e a arte dele, seu jeito
“afeminado” começou a atrair as pessoas, em especial as mulheres e ele virou
uma pessoa “popular” no colégio. Já não era mais só meu!
Minha
paixão adolescente aí então cresceu e eu aprendi o que era ter ciúmes.
Virei quase que obsessiva. E ele ainda assim continuava meu amigo, claro
que às vezes era cruel, mas eu estava pedindo para que fosse. Essa
situação permaneceu nos próximos 3 anos, com direito a escândalos de todo tipo.
Cheguei
a conseguir um “selinho” dele no meu aniversário. Quase que exigi ou me
humilhei para isso. Meus pais e os dele ficaram preocupados com a
situação. Mas afinal, eu seguia em frente e não reprovei nenhum ano,
finalmente terminando o colegial e entrando na faculdade. Faculdade paga,
não pública, mas uma boa faculdade.
Aí
passei para uma nova fase da minha vida, mesmo resistindo a nossa amizade/minha
paixão, algo começou a mudar. Afinal, faculdade cura todos os males do
coração.
Hoje, depois de 30 anos da história acima, somos mais amigos ainda que antes. Cheguei a sugerir que tivéssemos um filho juntos, sei que seria um ótimo pai. Mas a vida tem seus caprichos e nem tudo pode ser do jeito que queremos. Mas ele sempre será minha alma gêmea.