Texto escrito por mim para a Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo e foto da fachada antiga da Colónia de Férias do Guarujá, na praia das Astúrias (na década de 70). Texto a ser publicado no Jornal do Servidor (da AFPESP).
"Frequentei as colônias da AFPESP durante toda a minha infância e adolescência, entre as décadas de setenta e oitenta. Minha mãe ainda é associada, mas hoje em dia é doente e não tem mais condições. E meu pai, que também era associado, faleceu há mais ou menos 25 anos. Mas, tanto quando meu pai era vivo, quanto depois, minha mãe frequentava as colônias de férias. Fomos para Amparo, Poços de Caldas, Guarujá e Campos do Jordão inúmeras vezes. Em especial na do Guarujá e de Campos, que frequentamos mais, tenho lembranças muito boas. Elas fizeram parte de uma fase muito importante da minha vida.
A do Guarujá frequentamos até meus sete anos como hóspedes. Depois, minha avó comprou um apartamento lá perto, para que, embora não precisássemos mais ficar hospedados na colônia, pudéssemos sempre fazer as refeições lá. Então continuamos a frequentar como convidados. Me lembro sempre do horário do almoço que era rígido e eu, como qualquer criança, detestava ter que sair da praia para ir almoçar. Mas lembro que as refeições eram sempre boas, conhecíamos outras crianças, brincávamos. E como naquela época as televisões não pegavam muito bem, íamos na colônia à noite também para assistir novela. Passávamos o verão inteiro no Guarujá, almoçando todos os dias na colônia.
A de Campos do Jordão me lembro que frequentamos por vários anos seguidos, até no ano em que meu pai faleceu tínhamos ido para lá. Sempre achei aquela colônia a mais bonita de todas, e devia ser mesmo porque era a mais disputada. Não sei desde quando passamos a ir, sempre na primeira semana de fevereiro, todos anos. Era um evento para nós, adorávamos viajar com meu pai e essa viagem era especial para ele. Em outras viagens, nem sempre ele ia, mas para Campos sempre. Tínhamos um carro enorme, um Landau preto e saíamos bem cedo de Campinas, onde morávamos, para chegar logo em Campos e aproveitar bem a semana. E ia sempre um mesmo grupinho de pessoas nessa semana. Eram pessoas que tinham o dom de divertir. Sempre tinha um show de talentos ao final da temporada e meu pai se apresentava contando piadas, mas especialmente fazendo repentes, ele sempre teve o dom da palavra e adorava o improviso. Tinha um parceiro muito bom, mas não consigo lembrar o nome, o sobrenome acho que era Leão. Lembro de algumas outras pessoas também, que contavam piada, tocavam violão, piano. Tinha campeonato de "buraco", bocha (meus pais ganharam uma vez), e excursões, que lotavam rapidamente. Fiz muitas amizades por lá. Me apaixonei também... rs Enfim, vivi momentos muito importantes por lá. Ainda hoje quando passo em frente dela, me lembro daquela época e me emociono. Meu pai foi engenheiro agrônomo e era servidor público (pesquisador) do Instituto Biológico, de onde se aposentou cinco anos antes de falecer. Minha mãe é professora aposentada do estado e hoje tem oitenta e dois anos. Eu infelizmente não segui a carreira pública, digo isso me lamentando por não poder continuar participando da Associação, que tanto foi importante na minha vida. Mas feliz por vocês continuarem existindo e fazendo parte, alegrando a vida de tantos associados."
Este texto foi publicado na revista mensal da AFPESP no mês de janeiro/2012.
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