segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Eu vejo você meu filho

Viajando assim com minhas sobrinhas fica mais simples imaginar como seria eu com uma criança. Por mais absurdo que possa parecer e embora eu, como qualquer outra pessoa sem filhos, não tenha paciência, ou mais ainda, não saiba lidar com crianças, eu consigo me ver com uma. Viajando sim, cuidando dela, educando, enfim criando um filho. Fiquei fazendo aquilo que todos pais fazem quando "engravidam", ou seja, imaginando aquela criança ali comigo. Onde eu a levaria, o que ela acharia daquilo, se gostaria, se daria "piti" (esta palavra é a que minha irmã utiliza para designar aquela situação em que a criança "surta", às vezes com motivo, outras sem nenhum). E vou mais além, pois como quem está na chuva é para se molhar, como eu não restringi cor, imagino meu filho "colorido"(achei mais bonito chamar assim do que dizer "de cor"). Que tipo de situações ou preconceitos enfrentaríamos, talvez olhares estranhos. Na última palestra do GAASP falaram uma coisa que imagino que aconteça mesmo. Quando seu filho é "colorido", nós pais, acabamos esquecendo que somos diferentes (talvez por realmente não sermos e termos a capacidade de entender isto mais rápido e fácil do que outros mortais) dos filhos. Mas alguns outros mortais não esquecem este fato e estão por aí para nos questionar, reparar, evidenciar o fato. Então me empenho na tarefa de imaginar essas situações. Como veriam meu filho ? O fato é que aqui nos EUA, onde estou no momento, acredito que não reparariam muito não, assim como em vários outros países onde já estive. Porque no exterior já existe e acho que é até mais comum a adoção, mas além disso, existe o fato de que essas outras culturas são de pessoas que naturalmente não tem costume de ficar prestando muita atenção nos demais. O fato é que, se já tivesse meu filho hoje, ele brincaria com minhas sobrinhas, eu passaria minhas férias em Brasília para que ele tivesse mais contato com elas e visualizasse uma versão masculina como referência também. Mas vejo que em algumas situações o fato de ser mãe solteira dificultaria. Mas nada muito grave, apenas o fato que em caso de "piti", eu provavelmente não poderia delegar a responsabilidade de punir e nem delegar o castigo de ficar em casa, sem prejudicar o meu passeio, e seria sempre e somente o meu passeio a ser prejudicado a partir do momento que essa criança surgisse na minha vida.

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