No início de janeiro, depois de muito lutar comigo mesma, decidi que era hora para parar de ter medo e ir atrás do resultado do juiz. Eu precisava saber, já estava fantasiando demais na minha cabeça e não tinha mais a desculpa de evitar o problema por conta das festas de final de ano. Antes porém, gostaria de tomar coragem e relatar as minhas desventuras de 2010.
Confesso que este final de ano foi um dos mais difíceis para mim, acho que só comparado ao final de 2007, ano em que me separei. Fazendo um balanço geral do meu ano (2010), cheguei a conclusão que foi um ano muito ruim. Nada deu certo é um pouco radical claro, não é bem assim, mas várias coisas não seguiram o curso que eu gostaria. Tive problemas com meu ex-marido, fato que não vinha ocorrendo desde o ano da separação, e diria que foi pior do que a época da separação, pois ele me atingiu, desta vez profissionalmente, além de pessoalmente. Ele passou a ser o chefe da área onde eu trabalhava e com menos de duas semanas da mudança, sem nem dar tempo de eu pensar, ele me pediu para mudar de área. Não que fosse algo que não tivesse passado pela minha cabeça, mas achava que poderia esperar um pouco. Quando ele percebeu que eu tinha intenção de esperar um pouco, usou como argumento o meu baixo desempenho profissional. Literalmente ele misturou as coisas, ele nem era meu chefe imediato e o meu “baixo” desempenho, se é que existiu mesmo, nunca deveria ter sido avaliado por ele. Fiquei muito triste, fui atingida no fundo do meu ego, minha auto-estima foi toda por água abaixo. Além disso, e também talvez fosse melhor dizer, por causa disso, ele se casou novamente. Outro triste fato foi o término do meu namoro de dois anos. Perdi um grande companheiro, mas que não conseguiu acompanhar meus passos largos. Não dá para comparar com o fim de um casamento de treze anos, mas foi uma perda significativa. Combinávamos muito, mas no final terminamos descobrindo que ele não estava preparado para, ou não queria, assumir um compromisso mais sério. Ainda somos amigos, mas estou novamente sozinha, tendo que cuidar de mim mesma (e de minha mãe, pacote completo... rs). Além desses dois fatos, ainda houve minha tentativa frustrada de engravidar, congelamento de óvulos, tentativa de preservar meu útero de uma endometriose (fazendo uma vídeolaparoscopia). Hoje acho que tudo isto foi em vão, continuo sem filhos, não quero engravidar sem companheiro e a endometriose voltou (tenho mais cólicas hoje do que tinha antes. Ainda ouvi do médico que eu posso vir a ter uma hemorragia forte e ter que tirar o útero, então talvez fosse bom já tirar de uma vez. As mulheres sabem o que isso significa, podem imaginar como me senti.
Claro, algumas coisas definitivamente melhoraram em 2010, por conta do meu ex-marido tive que mudar de área no trabalho e realmente acho que hoje estou melhor. E isso graças a mim mesma que soube reagir na adversidade. Nunca duvidei que eu era capaz de reagir, nem achei que a mudança seria de todo ruim, mas é dolorosa essa situação. Com meu ex-namorado, acho que o que houve estava escrito e no fundo eu sentia que isso ia acontecer. E apesar de tudo, sei que tenho um amigo nele. Com relação às minhas tentativas frustradas de engravidar, estas não foram as primeiras e a gente às vezes precisa fazer algumas coisas na vida só porque acreditamos que devemos fazer para não se arrepender depois.
Mas o fato é que o final do ano me rendeu uma depressão, leve, mas existiu e ir até o fórum não ia melhorar. Mas recuperada logo após a virada do ano, fui até lá com toda a minha coragem. E então eis que estava escrito “Recomendo nova avaliação psicossocial em 180 dias...”. Fiquei muito chateada, não conseguia aceitar aquilo, me desesperei. Para quem não está vivendo isso, vai achar um exagero, afinal esperei mais de um mês para ir até o fórum, que diferença faz mais alguns. Mas o fato é que apelei, perguntei o que deveria fazer, que estava desesperada e não sabia o que queriam de mim, ou o que estava errado comigo. Me sugeriram conversar com a responsável pelo setor de psicologia, fui até ela, estava lá disposta a esperar o quanto fosse para falar com ela. Acho que ela adivinhou, ou falaram do meu desespero, e me atendeu logo. Expliquei o mesmo que já tinha dito para a responsável do cartório, que não sabia o que estava errado comigo e que se eu não soubesse ia esperar os 180 dias e de nada ia adiantar. Ela foi muito compreensiva e, como eu mesma disse para ela, disse que eu poderia solicitar uma redução do prazo alegando que a última avaliação já fazia quase um ano. Saí de lá mais aliviada e esperançosa, afinal alguém entendeu meu desespero.
Porém, a vida continua caminhando e eu ainda não tive tempo de fazer esta solicitação. Aí, começam a aparecer outros problemas, como minha mãe, que desde o final do ano vinha tendo enjôos e vomitando com freqüência, culminando em uma endoscopia recentemente, que por fim mostrou não ser nada grave. Preciso marcar e tirar férias e aí, pensando que devo dar uma volta por cima na minha vida, começo a me questionar se esse não seria o momento correto. Mas, e se eu peço a antecipação, e se me chamam quando eu estiver em férias ? Ainda não descobri a resposta para essa pergunta e se realmente foi pedir a redução do prazo, mas uma coisa é certa meu filho está por aí e será meu quando estiver destinado para isso.
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