Natal, época de festas em família, época de fazer um balanço geral da vida. E para quem está na expectativa, no meu caso de ser habilitada a ser mãe, como é essa época do ano ? Posso dizer por mim, é uma época muito triste. Solicitei a reconsideração da sentença, já liguei no Forum para saber se havia uma decisão do juiz (juiz decide, assistentes sociais e psicólogos dão parecer, segundo minha irmã, que é advogada), e fui informada que há um decisão. Faltou coragem para ir até lá ver qual seria, confesso fiquei com muito medo de ser recusada novamente, sem nem ser chamada para conversar. Ou, tão ruim quanto, pedir para aguardar mais um tempo. Época de festas, não quis arriscar receber uma notícia triste. E se, hipótese que eu mais espero, o juiz tiver decidido a meu favor, solicitando nova avaliação, suponho que, como da outra vez, a psicóloga vai entrar em contato, independente de eu ter ido lá ver a decisão (perguntei isso ao telefone e me disseram que é isso mesmo). Porém, fico aguardando um telefonema que não vem, e fico triste, sem saber o que esperar.
Nesse meio tempo, todas as crianças que vejo na rua, em especial as abandonadas ou exploradas, fico imaginando que poderiam ser meu filho. Que ele está em algum lugar só esperando por mim. Chorei muito neste natal, acho que foi um dos natais mais tristes da minha vida. Claro que não só por esse motivo. Minha mãe tem Alzheimer, já teve câncer (que pode voltar), e piora a cada dia. Penso que ela talvez nunca venha a conhecer esse neto. Fico triste com isso.
Penso no tempo que ainda vou ter que esperar depois de ser aceita como mãe e tento não me desesperar.
Ganhei um presente muito valioso neste Natal, um livro que fala sobre um relato de adoção. Devorei numa noite. Adoro ler as histórias dos outros, mas às vezes fico deprimida porque cada vez que leio outras histórias percebo que o motivo para que eu esteja ainda fora da “fila” é fútil. Neste caso que eu estava lendo, o casal queria como primeiro filho, um filho adotivo, achei lindo isso. Eles aceitavam irmãos e eram bem flexíveis com relação à cor e idade. Mesmo assim eles tiveram bastante trabalho. E olha que foram habilitados logo de cara. Imagina eu, que nem habilitada estou, fiquei sem namorado por conta disso, e ainda devo esperar algum tempo na fila.
É mesmo complicado querer adotar uma criança sozinha, outro dia até uma amiga minha falou que acha que para criar uma criança necessitamos do pai. Não esperava isso dela, mas confesso que concordo. Porém, a questão na verdade não é essa. A questão é: porque uma mulher (ou homem) que está sozinha, por circunstâncias das mais diversas, não pode mesmo assim ter um filho (adotivo ou não) ? Sem dúvida para uma pessoa sozinha será mais trabalhoso, porque não vai ter com quem dividir a responsabilidade. Mas essa pessoa já arca com as responsabilidades da vida sozinha. Hoje eu já sou responsável pela minha mãe, ela depende de mim. Se eu sou capaz de cuidar da minha mãe, porque não seria de uma criança ? E porque um namorado pode impactar nesse processo, já que nem divide despesas da casa e muito menos responsabilidades da vida ?
Ouvi de uma pessoa que o abandono de idosos é muito maior que o de crianças. Estou pesquisando melhor esta informação. Mas se eu cuido bem de minha mãe e jamais a abandonei, porque não me permitir a imensa graça de ser mãe ? Afinal já tenho um histórico de sucesso em adoção, adotei um idoso e um cachorro, coisas que poderia não ter feito, se não estivesse realmente disposta e com coragem.
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