quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Adoção por Amor ou por Proteção?
Hoje escutei uma história impressionante e que me comoveu. Depois refletindo sobre ela achei que valia a pena escrevê-la e que é uma experiência única escutar essas histórias.
Uma pessoa estava contando a história de seu sobrinho, que tem paralisia cerebral, pelo que entendi. Depende de uma pessoa para tudo, tomar banho, comer, itens mais básicos e fáceis de imaginar. Mas dependente inclusive para mastigar. Como a própria tia afirmou, ele entrou para a lista de casos de sucesso, porque com toda a deficiência que possui, chegou agora aos trinta anos. E é muito amado pela família. Ainda ouvindo a história me surpreendi ainda mais, essa criança foi adotada ainda bebê. Aí vem aquela surpresa geral, porque claro, em todas palestras que frequentei no grupo de apoio, só conheci um caso similar. Porém, o caso que conheci era de uma pessoa que já cuidava da criança (que tinha por volta de 10 anos) e passou por um processo de um ano para adotá-la. Nunca tinha escutado o caso de alguém que adote um bebê com paralisia cerebral. Pois esse casal adotou e conscientemente.
Então, com várias caras espantadas encarando-a, ela contou a história da criança. Ocorre que o irmão dela teve tuberculose e ficou estéril por conta disso. Na época já existia inseminação artificial, mas eles não quiseram optar por esse caminho (nem todo mundo acha este um processo natural (a começar pelo nome)). Nem pensaram duas vezes, vamos adotar uma criança. Na época (década de 80), quando um casal queria um bebê, simplesmente dizia isso a um médico ou enfermeira conhecidos e pedia que avisassem quando surgisse um bebê abandonado. E feito isso, o bebê apareceu, abandonado por uma mãe que não o desejava, tanto que tentou abortá-lo por diversas vezes, causando-lhe os danos. O médico alertou para os problemas que, certamente a criança teria. Mesmo assim eles decidiram que aquele era o filho deles, e que seria deles independente de qualquer coisa.
Após escutar a história e refletir um pouco sobre o assunto, fico pensando, será que quando adotamos uma criança maior, mais crescida, também não o estamos fazendo por proteção? Por imaginar que dessa criança pelo menos temos algum histórico? Este também não poderia ser classificado como um ato preconceituoso? Pois afinal de contas com uma criança maior, temos um período maior de adaptação, portanto, temos tempo de conhecê-la e de conhecer seu histórico de saúde também.
Uma adoção tardia seria uma forma de nos proteger do medo do desconhecido ?
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