segunda-feira, 14 de junho de 2010
Casamento sem Filhos na Década de 60
Tive uma tia, minha madrinha, a qual eu era muito ligada, era minha segunda mãe. Cuidou de mim quando bebê e sempre esteve presente em todos os meus momentos. Até os mais rebeldes, quando briguei com minha mãe e fugi para sua casa.
Ela havia sido casada, mas se desquitou (na época não havia divórcio) quando eu era bem pequena. Mas não pequena demais para não me lembrar de meu tio. Lembro dele, lembro da época em que eles "negociavam" a separação. Ele era meu padrinho e eu gostava muito dele, ele fazia muitas das nossas vontades (minhas e as de minha irmã mais nova).
Nunca entendi porque eles não haviam tido filhos, eu queria primos e pedia por isso. Criança é assim mesmo, quer sempre mais do que tem. Minha mãe dizia que meu tio era quem não podia ter filhos. Teve caxumba na infância. Engraçado como para ela, naquela época era importante frisar que o problema não era de minha tia.
Minha tia dizia que ia adotar uma criança, me lembro disso. Mas ela se separou e na época mulher só criava filho sozinha se tivesse sido abandonada pelo companheiro. Eu era criança e não entendia essas limitações culturais, queria um priminho. Achava minha tia triste por não ter filhos. Acredito que a lei da adoção, na época, também não favorecesse situações deste tipo.
E cresci com essa imagem da minha tia, mulher bem sucedida profissionalmente, elegante, mas frustrada por não ter uma "família" dela. Pelo menos era assim que eu via. Talvez, ela simplesmente se contentasse em ser tia. Mas com essa experiência eu guardei que, se um dia eu não conseguisse ter filhos biológicos eu certamente adotaria. E cresci acreditando na adoção como um ato nobre.
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