domingo, 10 de abril de 2011
Rumo a New York
Não sei porque fico tão atrapalhada em determinadas situações. Sou uma viajante experiente, mas sempre me atrapalho na hora de passar na alfândega, ou melhor na hora de fazer check-in. Entro pela porta errada e fico enroscada na porta, tenho que abrir malas, não consigo entender o inglês deles (embora tenha entendido tudo nos últimos dias), derrubo coisas, às vezes chego a perder coisa pelo meio do caminho. Tudo poderia ser explicado pela ansiedade, nervoso, claro, isso explica tudo, mas tem outros momentos em que fico ansiosa também, mas não fico tão atrapalhada assim. E normalmente é em final de viagem, quando estou saindo de algum lugar, ou para ir para casa ou para ir para outra cidade. Acho que isso está mais atrelado a mudança propriamente dita do que somente a ansiedade, é um pouco mais do que isso. E em geral o problema diminui depois que passo para a sala de embarque, que fico mais tranquila, apesar de preocupada com o vôo e com as malas, será que chegarão bem e etc... Hoje foi o check-in mais complicado desta viagem, pois estava com excesso de peso, segundo o motorista que me trouxe ao aeroporto, todos brasileiros levam pedras nas malas quando saem daqui... rsrsrs Tive que despachar a mala de mão e tive que pagar para despachar duas malas, porque era mais barato do que pagar excesso de peso por uma mala (o limite por aqui é de 23 kg, mas no Brasil é 32kg (esse argumento não adianta, eu tentei)). Ainda fico preocupada também em imaginar como vou fazer para chegar ao hotel em NY, já que desta vez não terei ninguém me esperando (todos os outros trechos eu tinha o transfer contratado). Sei que vou conseguir me virar e chegar ao hotel, mas gera um certo stress e acho que na verdade já estou é cansada de viajar, talvez fosse hora de ir embora. Mas como vou encontrar dois amigos em NY acredito que eu vá curtir essa parte da viagem também, é só questão de chegar ao hotel e me acomodar para me sentir "em casa"... é, depois de um tempo viajando começamos a chamar hotel de casa... porque é isso que ele vira, "casa". Estou na sala de embarque aguardando o vôo para NY, estou feliz de ter comprado este notebook, porque assim além de poder ler enquanto espero, posso também escrever. Para mim não há companhia mais agradável do que a de um papel e uma caneta, ou de um computador onde eu possa fazer minhas anotações. E se pudesse fazê-las enquanto dirijo ou ando, também faria porque tenho muitas ideias nessas situações, no metro, na rua... Gosto de observar as pessoas e ver como elas agem. Ontem eu estava no metro daqui de Montreal e estava um pouco perdida, com um mapa na mão tentando identificar para que lado eu deveria ir (já tinha me atrapalhado para passar na catraca). Imaginei que alguém logo me perguntaria se precisava de ajuda (na verdade eu precisava, mas em algum momento eu me localizaria sozinha se fosse necessário). Na verdade o que ocorreu foi esquisito, um rapaz passou (cerca de 30 anos, branco, cabelos escuros e compridos, alto, magro) e bateu com a mão no meu mapa, como se quisesse derrubá-lo. Foi mesmo uma coisa meio que agressiva. Eu não tive nenhuma reação a não ser dar o meu olhar 43, mas ele simplesmente fez isso e foi embora. E eu simplesmente continuei olhando o mapa. Vai entender o que isso significa. Logo depois realmente apareceu uma pessoa que me perguntou, em inglês, se eu precisava de ajuda. Era uma senhora, grisalha, linda, uns 50 anos. Sempre os mais velhos são os que mais são solícitos, pelo menos no exterior. Ela me acompanhou até quase a plataforma. No Canadá em geral as pessoas são assim, solícitas, por isso estranhei a maneira do rapaz, porém, vale lembrar que Montreal faz parte da província de Quebec, que é bem francesa, e não é uma característica francesa a solicitude com os estrangeiros(apesar que na França mesmo, eles vêm sendo muito bons com os turistas nos últimos tempos). Mas acho que no Canadá (francês) eles ainda pensam que os franceses são assim, estúpidos. Bem, até NY, vou embarcar agora.
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